:: sábado, 10 de setembro de 2016

Setembro amarelo

- Camila Appel: "Setembro amarelo: mês de conscientização do suicídio"
"Onze da manhã. Ele entra no Fórum Trabalhista de São Paulo com o filho de quatro anos no colo. Sobe o elevador, senta no beiral do prédio e de lá ele salta. O filho preso nos braços até o impacto do chão afastá-los para sempre. No mesmo dia, um homem esfaqueia a mulher, arremessa os dois filhos pequenos do 18° andar de seu prédio e logo em seguida se joga. 'Está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante', ele diz numa carta. Essas cenas são de embrulhar qualquer estômago. Podia ser ficção mas infelizmente não é. Aconteceram no dia 29 de agosto deste ano.

Setembro é o mês amarelo, um mês dedicado a campanhas de prevenção do suicídio. Alguns veículos de comunicação divulgam eventos e depoimentos. Outros se calam. Faz parte de uma cultura de não falar muito sobre o assunto, que ocorre devido ao tabu em torno do tema e do medo do tal Efeito Werther. Esse é o nome dado ao efeito do suicídio por imitação. Um potencial suicida buscaria inspiração em casos divulgados pela imprensa, principalmente relacionado a celebridades. Claro que uma cobertura sensacionalista do suicídio e a divulgação de alguns detalhes é desnecessária, mas por outro lado, não podemos calar perante um problema de saúde pública mundial. (...)

Escutar um potencial suicida é ter uma conversa franca, sem pisar em ovos nem usar eufemismos. Não é fingir que está tudo bem. Porque não está. Compreender uma dor é estar presente sem julgamentos, permitir que o outro fale sem sentir-se em um interrogatório. Muitas vezes, aquela pessoa não quer morrer. Ela só quer que a dor vá embora. Só que ela não vê saída e morrer parece ser o melhor que lhe resta fazer. Normalmente, ela não quer magoar os familiares, causar traumas, ele quer justamente deixar de ser um estorvo. (...)

Podemos e devemos fazer alguma coisa. Alguém próximo a você pode estar numa situação 'sem saída', mesmo que o sorriso no rosto disfarce seus planos para não acordar no dia seguinte.

Os dados são alarmantes. Uma cartilha sobre orientação a conselheiros da OMS diz que um maior número de pessoas comete suicídio anualmente do que as que morrem em todos os conflitos mundiais combinados (acesse aqui). Citando dados do Ministério da Saúde e da própria OMS, o CVV diz que pelo menos 32 brasileiros se matam por dia, taxa superior às vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Desses 32 casos, 28 poderiam ter sido prevenidos. No mundo, estima-se que uma pessoa se mata a cada 40 segundos.

O CVV criou o site SetembroAmarelo reunindo informações sobre as atividades do mês, com maior atenção ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, dia 10 de setembro. (...)"

:: quarta-feira, 22 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Ali, no velho boteco, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, no mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o protetor e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o Homem é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória - a capacidade de sonhar seus delírios, festejar e afogar suas dores nas ampolas geladas feito bunda de foca. É onde a alma da cidade grita a resistência."

(Luiz Antonio Simas)

:: sábado, 18 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Eu não soube administrar minha vida, então não posso dirigir a vida dos outros. Minha vida foi uma série de equívocos. Não posso dar conselhos. Ando um pouco à deriva. Quando penso no meu passado, sinto vergonha. Eu não transmito mensagens, os políticos transmitem mensagens."

(Jorge Luis Borges)

:: terça-feira, 14 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Call off your dogs
Listen when I call
I know there’s something wrong with the limits
We got turned around but we can spin it

Call off your dogs
What’s with the walls?
If we’re strong we can win it
One word can begin it:
Hello"


(Trecho de "Call Off Your Dogs", Lake Street Dive)

:: segunda-feira, 13 de junho de 2016

Psicologia social e pensamento de grupo

"Quanto mais nos alimentamos com a ideia de que o nosso grupo é o mais inteligente e moralmente superior, mais desprezamos a importância de que o nosso pensamento individual resista livremente à influência irracional dos sentimentos de vínculo e pertença. No auge do vínculo, já não se trata mais, propriamente, de pensar. Basta seguir o grupo."

(Rodrigo Cássio)

Post filosófico do dia

"O problema do Brasil não é estar em uma encruzilhada. É não estar nela, desprezando nas linhas retas da normatividade de seus políticos, sabichões, doutos mestres, chefes de família, homens de bem, bem-sucedidos, revolucionários e conservadores, a enorme potência descolonizatória e de desregramento dos mundos que o cruzo das encruzas, pensado potentemente, poderia trazer. Padecemos de desencanto. Ir para as encruzilhadas pode ser, quem sabe, um ponto de viração. Eu, que sou da encruzilhadas, escrevi certa feita e repito: desconfio e tenho medo é dessas gentes dos caminhos retos."

(Luiz Antonio Simas)

:: sábado, 11 de junho de 2016

Autonomia vs. Polícia de Pensamento

"Vejo dois parâmetros mínimos pra fazer política (e, bem, viver em sociedade): aceitar o dissenso e ser capaz de estabelecer relações de confiança. Eu só consigo ser amigo dos meus vizinhos porque não roubo o leite da porta, nem os acuso de fazê-lo injustamente, e porque não os obrigo a serem iluminados por todas as minhas convicções. Por óbvio, isto não quer dizer que basta ser polido e defender o que quer que seja, há ideologias que já trazem em si a negação dessas possibilidades. Ninguém há de confiar num grupo que defende sua aniquilação, e só um idiota tentaria mediação com quem faz polícia de pensamento. Isto seria abdicar de qualquer autonomia.

Se eu estou, a esta altura, absolutamente pessimista - sobre a política, não sobre a vida, que esta há de ser sempre fantástica, e com ela meu compromisso é inegociável - é porque eu sinto que nos tornamos uns obsessivos imediatamente dispostos a policiar pensamento e antagonizar com grupos abstratos, com estereótipos (eles podem ser até úteis pra entender o mundo, mas não existem materialmente - totalizar pessoas em estereótipos é uma violência e uma ignorância). O que sobra é o fechamento em grupos de iguais. E um grupo de iguais é sempre um grupo de policiais. Eu vejo aqui diariamente o gozo de quem está agindo como polícia e, não importa contra quais tipos de 'crimes', tenho horror. E resulta, inequivocamente, um apequenamento, um empobrecimento dessa gente. Ninguém consegue ver razões para além do muro. Ninguém consegue aprender do lado de fora, e vive menos.

Existe a barbárie dos 'incivilizados', essa barbárie que a natureza provê, que é própria do caos. Sempre vou achá-la menos trágica que aquela que se formata como civilização."


(Pedro Ivo)

:: sexta-feira, 10 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Try to stop my hands from shaking
But something in my mind's not making sense
It's been awhile since we've been all alone
I can't hide the way I'm feeling"


(Trecho de "Your Love", The Outfield)

Sobre a inveja primária e a imposição de regras

"(...) De repente, um grupo de deputados evangélicos quer abolir o uso do nome social. Para eles, o cidadão ou a cidadã que vive num gênero diferente do seu sexo anatômico sempre terá que anunciar seu nome original. Acrescento: de modo que sempre seja zombado.

É um mistério: como é que alguém tem uma iniciativa dessa? De onde nasce a paixão de impor regras aos outros e de disciplinar a vida deles?

No Ocidente moderno (desde o fim do século 18), só é proibido, em tese, o que limitaria a liberdade do outro. À condição de não ferir ninguém, cada um e cada grupo podem se dar as regras que quiserem. Ninguém obriga os praticantes de suingue à monogamia, e ninguém obriga evangélicos a praticar suingue.

Como é possível, então, que surjam paixões de disciplinar os outros? E por que isso acontece sempre em matérias que tocam ao sexo, aos prazeres a ao gozo? (...)

A inveja primária (os psicanalistas dirão que ela é de antes do Édipo) é um dos sentimentos que mais sobrevivem e dão forma às relações entre adultos. (...)

Chegamos à conclusão: disciplinar significa reprimir no outro o que suponho que seja seu gozo. A origem da paixão de disciplinar está na inveja primária: ele não terá mais do que eu, não gozará mais do que eu."


(Contardo Calligaris)

:: quinta-feira, 9 de junho de 2016

A sociedade do patrulhamento e o silenciamento de vozes

- Jon Ronson: Quando a espiral de humilhações on-line sai fora do controle



Comentário
Uma das melhores palestras a que já assisti. A mensagem ao final é fundamental para compreendermos o triste ponto a que chegamos nos debates cheios de ódio na era das redes sociais:
"Talvez haja dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que colocam humanos acima da ideologia, e aquelas que colocam ideologia acima dos humanos. Eu coloco humanos acima da ideologia mas, no momento, os ideólogos estão vencendo e eles estão armando um palco para grandes dramas permanentes e artificiais onde todo mundo se torna ou um herói magnífico ou um vilão nojento, mesmo nós sabendo que nossos companheiros humanos não são assim.

A verdade é que somos inteligentes e burros; a verdade é que existem áreas cinzentas. O grande avanço das mídias sociais foi ter dado voz a pessoas que não tinham voz, mas agora estamos criando uma sociedade do patrulhamento em que o melhor jeito de sobreviver é voltar a não ter voz.

Não façamos isso."

Post filosófico do dia (2)

"Não somos nós que guardamos as lembranças, são as lembranças que nos guardam."
(Mia Couto)

É preciso mudar a sociedade de consumo em que vivemos

"(...) Imaginar que uma sociedade voltada explicitamente à satisfação das necessidades humanas vai alterar por si só os potenciais destrutivos embutidos inevitavelmente no avanço da ciência e da técnica é mais que ilusório: é expressão de prepotência, é renunciar à tarefa atual mais urgente, qual seja o esforço consciente para assumir um medo desinteressado, no qual junto com o mal apareça o bem a ser defendido, junto com o infortúnio apareça uma salvação que não faça exigências demasiadas [e por isso] o medo se torna a primeira obrigação preliminar de uma ética da responsabilidade histórica."

(Ricardo Abramovay)

:: quarta-feira, 8 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir"


(Trecho de "Pra Você Guardei o Amor", Ana Cañas e Nando Reis)

O uso de rótulos para desqualificar

"Um dos obstáculos ao progresso da pesquisa é esse funcionamento classificatório do pensamento acadêmico - e político -, que muitas vezes embaraça a invenção intelectual, impedindo a superação de falsas antinomias e de falsas divisões. A lógica do rótulo classificatório é exatamente a mesma do racismo, que estigmatiza, aprisionando numa essência negativa. Em todo caso, ela constitui, a meu ver, o principal obstáculo ao que me parece ser a relação adequada com os textos e pensadores do passado. De minha parte, mantenho com os autores uma relação muito pragmática: recorro a eles como 'companheiros', no sentido da tradição artesanal, como alguém a quem se pode pedir uma mão nas situações difíceis."

(Pierre Bourdieu)

Sobre o neoconservadorismo contemporâneo

"A atitude do neoconservador, em geral, é de subestimar a inteligência do outro, confundindo a apresentação de perspectivas ou a crítica com a imposição autoritária de uma única visão, como se o receptor fosse incapaz de decidir por si mesmo se está de acordo ou não com a posição levantada."

(Moysés Pinto Neto)

:: terça-feira, 7 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"É um problema significativo que o silêncio e a solidão sejam condições para um ato de fala que não seja apenas expressão da tagarelice geral. E é um problema material quando vivemos a época em que todo um aparato maquínico põe e repõe a necessidade de falar, a imperiosidade de se comunicar e ser tragado pela lógica dos algoritmos. (...)"

(Silvio Pedrosa)

:: domingo, 5 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo

Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar"


(Trecho de "Me Deixa", O Rappa)

:: sábado, 4 de junho de 2016

Post filosófico do dia

"Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor de peixes e iguarias de uma festa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda a escolha e de toda a rejeição."

(Epicuro)

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"Eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. Vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade."

(Pepe Mujica)

:: quarta-feira, 1 de junho de 2016

Aprendizagem e formação: a influência do ambiente ao nosso redor

"É claro que a genética influencia em nossas habilidades e características. Mas a vivência da criança e os exemplos que ela tem dentro de casa são fundamentais para a criação deste comportamento. A capacidade de linguagem de uma criança, por exemplo, é intimamente ligada ao vocabulário da mãe, às palavras que ela fala com o bebê, só para citar um exemplo da influência do ambiente no desenvolvimento do cérebro infantil.

Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa.

A boa notícia é que o carinho também molda o cérebro. São várias pesquisas científicas que compravam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem. A ocitocina é responsável por fazer com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes. O que é uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só se manifestam na vida adulta. Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar.”


(Suzana Herculano-Houzel)

Sobre a luta cotidiana contra violência e preconceito

"(...) Só agora, perto dos 60 anos, vejo como errei ao presenciar, sem intervir, cenas de violência entre colegas de escola, ou de professores contra suas vítimas preferidas.

É algo que custa a aprender: levantar a voz, com autoridade serena, e dizer 'parem com isso', quando algo monstruoso acontece diante de nossos olhos. Ouvi um negro ser ofendido –e não reagi; não estava ainda na idade adulta. Por sorte, não presenciei nenhum estupro ou linchamento."


(Marcelo Coelho)

:: terça-feira, 31 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Vivemos a sensação de que o incrível acontece e é nada além da confirmação do que já sabíamos. O que define nossa situação não é o surrealismo, mas o realismo mágico."

(Moysés Pinto Neto)

:: segunda-feira, 30 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"(...) Já que querem que eu me assuma como intelectual, visto a carapuça: minha qualificação é falar a partir da vivência dos terreiros e das leituras que faço dos chamamentos do tambor. E eu não falo da mirada dos candomblés não, que isso é até visto como potente por muita gente. Minha escrita e fala vem do solo fértil das macumbas mais desqualificadas mesmo, aquelas que fundamentaram o samba. Tirem isso de mim e eu não penso mais nada que preste. Podem me desqualificar tranquilamente, mas de covardia intelectual ninguém pode me acusar. Minha caneta é pemba de fé e os incomodados que se encastelem em seus doutos escritórios, salas e gabinetes. Não tomem isso como um discurso de vitimização não, que tubarão não morde quem dançou mina em maranhão e aprendeu com os mais velhos a abrir os braços sorrindo. Eu sei exatamente como fazer isso."

(Luiz Antonio Simas)

:: quinta-feira, 26 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Dreamers
They never learn
They never learn
Beyond the point
Of no return
Of no return

And it's too late
The damage is done"


(Trecho de "Daydreaming", Radiohead)

:: terça-feira, 24 de maio de 2016

:: quarta-feira, 18 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Quando penso em minha história, pareço existir apenas como aquela que veio, aquela que testemunhou, aquela que ansiava por ir embora: um ser sem substância, um fantasma ao lado do corpo verdadeiro de Cruso. É essa a sina de todo contador de histórias?"

(J. M. Coetzee, in "Foe" - via Silvio Pedrosa)

Sobre o viés de confirmação

"(...) Um dos erros cognitivos mais comuns é o chamado desejo de confirmação (viés de confirmação). Este vício cognitivo nada mais é do que a tendência de buscar, interpretar, catalogar e lembrar de informações que confirmem aquilo que queremos que seja confirmado. Estamos predispostos a receber com facilidade e sem críticas as informações que tendem a solidificar nossas crenças e a rejeitar qualquer possibilidade alternativa que possa colocá-las em risco. Somos seletivos na coleta de evidências. Tendemos a ignorar ou a rejeitar qualquer informação que suporte uma conclusão diferente daquilo que acreditamos. Nossas percepções são ideologicamente enviesadas: superestimamos as informações que reforçam nossas opiniões e subestimamos o contrário. Diante de informações contraditórias sobre o mesmo assunto, valorizamos mais aquelas que se encaixam na nossa rede de crenças e lembramos com mais frequência dos dados confirmatórios, apagando inconscientemente qualquer vestígio de ameaça ou contradição. Mais ainda: estamos propensos a interpretar qualquer dado que seja apresentado como algo que confirma nossas convicções. Mesmo quando a informação parece se chocar diretamente com aquilo que defendemos, há uma inclinação em reconstruir o seu sentido para parecer favorável ao nosso ponto de vista. Ou seja, moldamos os dados para se conformarem aos nossos valores. (...)

O viés da confirmação é responsável por outro fenômeno que também prejudica nossa avaliação do mundo: a chamada 'perseverança de crenças', situação curiosa que nos leva a rejeitar qualquer informação que possa refutar nossas crenças consolidadas. De fato, nossas convicções mais profundas têm a incrível capacidade de persistir mesmo quando são mostradas evidências contrárias que levariam à sua refutação. Temos uma espécie de relação afetiva com nossas crenças. Não gostamos de vê-las enfraquecidas ou destruídas. Criamos mecanismos de defesa mental para salvá-las de qualquer ameaça, inclusive ao ponto de mantê-las vivas mesmo depois terem sido submetidas a um ataque letal. (...)

Todos nós estamos sujeitos a cometer erros cognitivos, até porque não controlamos a maior parte daquilo que processamos em nossa mente. A autocrítica, portanto, deve ser constante e intensa. Talvez sejamos nós que devemos pensar e estar dispostos a mudar de lado. (...)"

(George Marmelstein Lima, trechos de "Como compreender e conversar com alguém que não está disposto a mudar de lado" - grifo em negrito meu)

:: terça-feira, 17 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"A melhor lição extraída de tudo é que as pessoas que têm mais valor são as que divergem muito de você, mas têm integridade/coerência."

(Jane Reis, ‏@ajanereis)

:: segunda-feira, 16 de maio de 2016

Estratégias e a repetição do passado

- Na Folha: Contra terrorismo, EUA e potências admitem armar governo da Líbia

Comentário
Ainda bem que não tem nenhuma chance de essa estratégia dar errado, não é mesmo?

"A História se repete..."

:: domingo, 15 de maio de 2016

:: sábado, 14 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Everybody's been there
Everybody's been stared down
By the enemy
Fallen for the fear
And done some disappearing
Bowed down to the mighty
Don't run
Stop holding your tongue

Maybe there's a way out
Of the cage where you live
Maybe one of these days
You can let the light in
Show me
How big your brave is

Say
what you want to say
and let the words fall out
Honestly
I wanna see you be brave
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly
I wanna see you be brave"


(Trecho de "Brave", de Sara Bareilles)

:: quinta-feira, 12 de maio de 2016

Post filosófico do dia: "Olhos Insanos"

"A lembrança do silêncio daquelas tardes
Daquelas tardes
A vergonha do espelho naquelas marcas
Naquelas marcas
Havia algo de insano naqueles olhos,
Olhos insanos
Os olhos que passavam o dia a me vigiar, a me vigiar..."


(Trecho de "Camila, Camila", Nenhum de Nós)

Sobre a prisão da vida acadêmica

"Pela primeira vez alguém em quase desespero me pede seriamente um conselho sobre o que fazer da vida acadêmica. Logo pra mim, que escapei dela voluntariamente, por absoluta incompatibilidade, falta de traquejo e disposição para as excelências. Sou do bonde do chutar o pau da barraca, botar as caras, escrever, estudar, escutar o caboclo, encantar a palavra, cagar pro figurão, ousar na forma, pintar os cacetes, desconfiar dos títulos, deixar de virar lattes para virar as latas nas esquinas mais vagabundas, brincar com o conhecimento, escrever história como crônica e crônica como história, molhar a palavra com a cangebrina, fazer aviãozinho com os diplomas (inclusive os meus, que estão em algum canto da gaveta) e gostar das literaturas que a academia, adepta do rigor necessário, não admite. Aguerezar (gosto de inventar palavras) a escrita, em suma. Texto é encantaria. Imagine eu numa reunião de departamento... É ruim. Garanto que sou a pior pessoa para dar conselhos num caso desses. Não sei nem me vestir, conforme atesta, aterrorizada, a Candida Carneiro."

(Mestre Luiz Antonio Simas)

:: segunda-feira, 9 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"We became the parade on the streets that we once cleaned
Expendable soldiers smiling at anything
Raised on a feeling our lives would have meaning eventually

We were once the answer and then you discover
You're actually just one thing after another
And what was the question and why was the lesson so deafening?

This is all that matters now
And that was all that happened anyhow
You can look back but don't stare
Maybe I can love you out of there

And when I went away what I forgot to say
Was all I had to say:
Eight letters, three words, one meaning"


(Trecho de "Eight Letters", Take That)

:: domingo, 8 de maio de 2016

Post surreal do dia

"(...) I had no interests. I had no interest in anything. I had no idea how I was going to escape. At least the others had some taste for life. They seemed to understand something that I didn't understand. Maybe I was lacking. It was possible. I often felt inferior. I just wanted to get away from them. But there was no place to go. Suicide? Jesus Christ, just more work. I felt like sleeping for five years but they wouldn't let me. (...)"

(Charles Bukowski, "Ham On Rye")

Questões sobre a humanidade

"Vamos admitir: a humanidade, como dizem os cariocas, deu ruim —e o efeito estufa, se mantivermos o otimismo (desta vez um otimismo místico, quase messiânico) é uma espécie de 'recall' planetário. Nós vamos pro saco, várias outras espécies —coitadas— também, mas a natureza como um todo se ajeita, como sempre se ajeitou nas outras extinções em massa. Em milhões de anos restarão apenas, soterrados, fósseis deste mal passo da evolução —algo assim como uns exemplares de 'Anônima Intimidade', do poeta Michel Temer, jogados no fundo de uma caçamba de entulhos. (...)

A humanidade sempre foi um descalabro. Basta olhar em volta para se dar conta de que eu e você, com casa, comida, roupa lavada e Netflix somos a exceção no tempo e no espaço. Hoje as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo dinheiro que os 50% mais pobres (3,5 bilhões de pessoas), 780 milhões não têm acesso à água potável, 1,3 bilhão não têm energia elétrica. No Brasil, 45% das residências não estão conectadas à rede de esgoto —imagina então ao Netflix?

'Ah, mas e o primeiro mundo?' —dirá um esperançoso leitor. 'Se eles conseguiram, nós também podemos conseguir!'. Eles conseguiram o que? A diferença entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos é que lá eles se organizaram minimamente pra ferrar só quem tá do lado de fora da fronteira, enquanto aqui a gente esculhamba com a gente mesmo. Numa perspectiva global, não faz a menor diferença.

Houve um momento, nalguma tarde por volta de 2010, durante a primavera, talvez, em que vimos todas aquelas TVs de plasma surgindo e refletindo o sol dos trópicos, uma brisa fresca soprou do Atlântico e nos trouxe a ilusão de que o Brasil ia dar certo, de que o mundo talvez fosse um lugar justo e um 'happy end' até seria possível.

Não vai ter 'happy end', mas ao menos o 'end' está próximo —eis a boa notícia. A má notícia é que, antes disso, entre outros revezes, teremos, já nesta semana, provavelmente, o autor de 'Anônima Intimidade' como presidente do Brasil."


(Antonio Prata - grifo meu)

:: sábado, 7 de maio de 2016

:: sexta-feira, 6 de maio de 2016

Marisa Monte e uma leitura das escolas ocupadas

"Me deu uma força transformadora. Foi tão bonito. Só existe amor na micropolítica. Na macropolítica não tem amor, cheguei a essa conclusão. É assim que a gente vai mudar as coisas. Lá em cima não tem nada construtivo. Está ruindo sozinho, a gente não precisa fazer nada. Vamos tirar o lixo das ruas, plantar as árvores. Cada um fazendo sua parte, descobrindo a micropolítica de dentro de cada um."

(Marisa Monte - grifo meu)

Pedagogia e educação: a importância das ocupações

"De cada cem alunos de início do Fundamental apenas onze chegam à universidade. E, mesmo na universidade, o analfabetismo funcional prospera. Mas não é inevitável que os poucos jovens que ingressam no ensino médio a ele cheguem 'mal preparados'. Nem que metade dos que ingressam na universidade não a completem deverá ser considerada uma fatalidade. Para inverter essa trágica situação basta que a pedagogia prevaleça nas escolas onde hoje reina a burocracia. A situação poderá ser alterada se os critérios de natureza administrativa não estiverem submetidos a ocultos interesses político-partidários. Quando políticos, para os quais a pedagogia é ciência oculta, deixarem de dar opinião, ou decidir em algo que não entendem."

(José Pacheco - grifo meu)

Post surreal do dia: "Nuova Civiltà"

Se um dia surgir uma vontade de revolução,
se um dia evoluirmos enquanto sociedade,
se um dia enfrentarmos esse conservadorismo-pragmático,
se um dia superarmos essa farsa de "Ordem e Progresso";

Se esse dia chegar,
deixo aqui minha humilde sugestão
do novo lema para a bandeira (inter)nacional,
resumido na frase do genial Luiz Antonio Simas:

"Paz na Terra e Cana no Copo"

:: quinta-feira, 5 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Gosto muito de ficção de terror e também de ficção científica. Escrevendo meu romance descobri duas coisas: a primeira é que não há nada mais aterrorizante do que ser possuído por si mesmo. A segunda é que há realidades que só a ficção suporta. Ou há realidades que precisam ser inventadas para serem contadas."

(Eliane Brum)

:: quarta-feira, 4 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta."

(Eduardo Galeano)

:: terça-feira, 3 de maio de 2016

Blackbird, eternamente

- Na Folha: "Paul McCartney encontra mulheres que inspiraram a canção 'Blackbird'"
"Paul McCartney se encontrou no sábado (30) com duas mulheres que inspiraram a composição de 'Blackbird', faixa do álbum 'White Album', de 1968, e um dos maiores clássicos dos Beatles.

Elas fizeram parte do processo de integração racial da escola Little Rock's Central, no Estado norte-americano do Arkansas, em 1957. O episódio marcou o ingresso de negros na instituição, que antes só recebia alunos brancos. (...)"

:: segunda-feira, 2 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"(...) Ninguém tem o direito de dizer: 'Revolte-se; a libertação final de todos os homens depende disso.' Não estou de acordo, contudo, com quem diz: 'É inútil para você revoltar-se; sempre vai dar no mesmo.' Não se deve dar ordens àqueles que arriscam suas vidas diante de um poder. Revoltar-se é ou não um direito? Deixemos a questão em aberto. As pessoas se revoltam; isso é um fato. E é assim que a subjetividade (não a dos grandes homens, mas a de qualquer um) é trazida para dentro da história, conferindo-lhe vida. Um condenado põe em perigo sua vida para protestar contra punições injustas; um louco não pode mais suportar ser confinado e humilhado; uma pessoa recusa o regime que a oprime. Isso não faz do primeiro inocente, não cura o segundo e não assegura à terceira o amanhã prometido. Ademais, ninguém é obrigado a ajudá-los. Ninguém é obrigado a declarar que essas vozes confusas cantam melhor do que as outras e falam a verdade. É suficiente que elas existam e que tenham contra si tudo que está determinado a silenciá-las até que haja um sentido em ouvi-las e em prestar atenção ao que querem dizer. Uma questão de ética? Talvez. Uma questão de realidade, sem dúvida. Todos os desencantos da história não alterarão a verdade: é por causa de tais vozes que o tempo dos seres humanos não tem a forma de uma evolução, mas sim, precisamente, de uma 'história'.

Isso é inseparável de outro princípio: o poder que um homem exerce sobre outro é sempre perigoso. Não estou dizendo que o poder é, por natureza, mau; estou dizendo que o poder, com seus mecanismos, é infinito (o que não significa que ele é onipotente, muito pelo contrário). As regras para limitá-lo nunca são suficientemente severas; os princípios universais para desapossá-lo de todas as ocasiões de que apropria nunca serão suficientemente rigorosos. Contra o poder, deve-se, em um esforço incansável e interminável, definir leis invioláveis e direitos irrestritos.

Nos dias que correm, os intelectuais não dispõe de uma boa 'imprensa'. Acredito que posso empregar essa palavra em um sentido bastante preciso. Não é o momento de dizer que alguém não é um intelectual; além disso, eu só provocaria um sorriso. Sou um intelectual. Se pedissem minha concepção do que faço, o estrategista sendo o homem que diz: 'Que diferença faz determinada morte, determinado choro ou determinada revolta, comparados à necessidade geral, e, por outro lado, que diferença faz um princípio geral na situação particular em que vivemos?', bem, eu teria de dizer que é indiferente para mim se o estrategista é um político, um historiador, um revolucionário, um sequaz do xá ou do aiatolá; minha ética teórica é o oposto da deles. É 'anti-estratégica': ser respeitoso quando uma singularidade se revolta, intransigente logo que o poder violar o universal. Uma escolha simples, um trabalho difícil: pois é preciso ao mesmo tempo olhar de perto, um pouco sob a história, o que a fende e a agita, e se manter atento, um pouco aquém da política, àquilo que incondicionalmente a limita. Afinal, este é meu trabalho; não sou o primeiro nem o único a realizá-lo. Mas é o que escolhi."


(Michel Foucault, trecho de "Inutile de se soulever?" ["Inútil revoltar-se?"] - grifo em negrito meu)

:: domingo, 1 de maio de 2016

Post filosófico do dia

"Sometimes I wonder if it will ever end
You get so mad at me when I go out with my friends
Sometimes you're crazy
And you wonder why
I'm such a baby, yeah
The Dolphins make me cry

Well, there's nothing I can do
Only wanna be with you
You can call me your fool
I only wanna be with you

Yeah, I'm tangled up in blue
I only wanna be with you"


(Trecho de "Only Wanna Be With You", Hootie & The Blowfish)

Incentivo à ciência

"(...) Se produzimos tanto em tão pouco espaço e com tão poucos recursos, imagine se nossas perguntas não precisassem mais ser limitadas pelo pouco apoio financeiro que recebemos do governo ou pelas leis arcanas de importação. Quantos outros artigos na Science não poderíamos ter, quantos outros conhecimentos não poderíamos exportar?

Fazer mágica é bom, mas cansa. Queria poder ser apenas cientista."


(Suzana Herculano-Houzel, em "Ciência e Centavos", na Revista Piauí de agosto/2015)

:: quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sobre o estado punitivista, o racismo estrutural e a farsa do "combate" às drogas

- Na Agência Brasil: Mais de 40 mil presos entraram na população carcerária brasileira em um ano
"O número de pessoas privadas de liberdade no Brasil chegou a 622.202 em dezembro de 2014. Em dezembro de 2013, eram 581.507, o que mostra que a população carcerária aumentou 7% em um ano (40.695 detentos a mais). Cerca de 40% dos presos brasileiros são provisórios, ou seja, ainda não foram julgados em primeira instância. Mais da metade da população carcerária é formada por negros, e o tráfico de drogas foi crime que mais levou os detentos à prisão.

(...) Com o total de 622.202 pessoas privadas de liberdade, o Brasil tem a quarta maior população penitenciária do mundo, atrás dos Estados Unidos (2,2 milhões, ano de referência 2013), China (1,65 milhão, ano de referência 2014) e Rússia (644.237, ano de referência 2015). O Brasil tem déficit de 250.318 vagas, de acordo com o levantamento.

(...) Os dados do levantamento mostram que 61,6% dos presos são negros, 75% têm até o ensino fundamental completo e 55% têm entre 18 e 29 anos. Vinte e oito por cento respondiam ou foram condenados pelo crime de tráfico de drogas, 25% por roubo, 13% por furto e 10% por homicídio.

O ritmo de crescimento da taxa de mulheres presas na população brasileira chama a atenção, de acordo com o relatório. De 2005 a 2014, essa taxa cresceu numa média de 10,7% ao ano. Em termos absolutos, a população feminina aumentou de 12.925 presas em 2005 para 33.793 em 2014. O tráfico de drogas (64%) foi o crime que mais motivou a prisão de mulheres, seguido por roubo (10%) e furto (9%). (...)"

Post filosófico do dia

"Amar é ficar sem chão. O que nem sempre quer dizer voar."
(Ana Suy, ‏@a_suy)

:: segunda-feira, 25 de abril de 2016

Post filosófico do dia

"(...) Há de haver um lugar onde a música que evoca os bons espíritos seja capaz de trazer respostas celestiais em piscadas de luz. Todos os habitantes compreendem, em silêncio, como é misterioso aceitar as manifestações do inefável. Contudo, há a clareza de que estamos cercados pelos fios inexoráveis do Cosmos.

Nesse lugar, imaginado, há também um telescópio que me aproxima das crateras relutantes da lua cheia, das chuvas de meteoros e do olhar profundo de Saturno. E, ao passar alguns segundos, o Universo se desgruda tão rapidamente da lupa, que se torna nítida a sensação de não estar paralisada em mesquinhezes mundanas.

O portal, escondido dos sinais de celulares e alheio aos pesadelos terrestres, traz reflexões em cada uma das conversas entre seus seres. Os bichos dialogam em lambidas, colos e uivos; as crianças embriagam-se em liberdades; os adultos auditam seus preconceitos para dar espaço às meditações.

O peso da leveza. Por que, meu Deus, é tão doloroso sustentar a leveza para longe desse lar? Por qual razão escolho me esconder das feridas que sangram, se somos todos poeira da mesma incompletude? Por que nos agredimos tanto, esquecendo de que nossos inimigos são os verdadeiros mestres, nessa errante jornada? Por que temos tanto medo de nos assumirmos mentirosos, falácias de nossas trajetórias? Por que me dá tanto medo ser feliz? Por quais razões estúpidas associo a arte à melancolia? Por que o processo criativo não pode estar acompanhado de longas gargalhadas, noites perfeitas, cafés-da-manhã na cama? (...)"


(Mariana Portela, trecho de "Reabitar a alma")

:: domingo, 24 de abril de 2016

Post filosófico do dia

"Smile, the worst is yet to come
We'll be lucky if we ever see the sun
Got nowhere to go, we could be here for a while
But the future is forgiven, so smile"


(Trecho de "Smile", Mikky Ekko)

:: quinta-feira, 21 de abril de 2016

Post filosófico do dia

"(...) Lembrem o velho clichê: 'A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.' Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós. (...)

A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem. (...)"


(David Foster Wallace, em "A liberdade de ver os outros")