"(...) A vida nos golpeia com acontecimentos que nos fazem perder o amor pelas palavras. Não são mais nossas amigas, não se apresentam como devem, não bastam, não traduzem, não nos nutrem mais. Em vez de dar sentido, sugam-no. Desbotam o sentimento antes da última letra sem dar conta do tamanho da dor. Viram arremedos, pequenos totens inúteis que aprisionam o impossível de ser aprisionado, congelam o que não para de ferver.
Portanto, perdoem-me. Hoje não vou arriscar. Lanço aqui este alinhavo para dizer que hoje não tenho palavras para o indizível."
(Denise Fraga, trecho de "Não há palavras para o indizível")
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